sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Convite para ver Cores & Dores



“...Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores....”

Todas as cores do dia fortes e quentes, porém pesadas...
Penso na dor, no incomodo, na inconformidade e em tudo ao redor, no redemunho do dia e da noite que passam longos e bem devagar, numa lentidão coberta com o som de tic tac daqueles relógios bem antigos e irritantes, onde a cada hora soa uma música ensurdecedora...
Olhar as sombras de Goya nos torna parte delas, nos enlouquece e cega com gritos surdos e inúteis de criaturas vis e errantes.
Perceber a fome e a miséria que Portinari coloca nos seus retirantes nos lembra que temos fome e que somos miseráveis, Les miserables de Victor Hugo emergindo dos esgotos condenados pela necessidade...
Encarar de frente Botero nos faz sentir engraçados com os corpos roliços e bochechas rosadas... cores e cores das mais vermelhas, as vermelhas de sangue da guerra e do odio...
Prestar muita atenção nos Parangolés e Tropicálias com suas cores que mostram as dores e a pobreza, cobertas pelas injustiças, pela marginalidade... Beba da fonte, beba de Duchamp com suas criticas e ataques...
Mirar os olhos das Meninas de Rosa e Azul e a emoção que nos traz um choro de uma criança e soberba de outra (mas estão as duas no mesmo espaço), poderiam estar em Güernica ou na rosa de Hiroshima, a rosa hereditária...
Enfrentar que talvez sobrevivemos da caridade de quem nos detesta e que veremos museus de grandes novidades...

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Essas cores nos levam a mundos perdidos...Mundos não escondidos,mas ignorados.Mundos que ao serem explorados,com toda sua dor,nos mostram um "que" de beleza frágil,simples.Belza vista com os olhos da alma.

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  3. O texto continua belo ^^

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